Ôxente, meu fio,
cadê o boi no cercado
e toda aquela plantação?
foi embora no vento,
sumiu tudo no céu,
feito ave de arribação.
Agora, é só terra em brasas,
ardendo que nem tição.
Do gado só cabeças,
igual assombração.
Feito rio escorregadio,
a terra plantada se foi,
levada no deslize do chão.
Ai, que tamanha judiação.
Inhô,num gema não,
basta de choro e reza,
feito só de lamentação.
A terra é seca e batida,
igual alma sem alumiação,
mas de gente com fé no santo,
indo e vindo, solta pelo Sertão.
São os filhos da caatinga,
sofrendo toda humilhação.
Mas, briga, mata, esfola ou morre,
mesmo sem ser lampião.
Ôxente,sêo Capitão, virge, santa maria,
Num tem quase a vida
e, muito menos, esse chão.
Cruz credo, Ave Maria,
dê-me a benção Padim Ciço
pois, é só dor no meu Sertão.
Mas, juro meu Santo querido,
que de fome, a gente num morre não.
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